Os dez poemas finalistas

No último 23 de agosto teve lugar a solenidade que premiou o campeão, e segundo e terceiros lugares, sem esquecer os demais finalistas, presentes ou não, participantes do 2º Prêmio de Poesia José Jorge de Siqueira Filho.

Os poemas e respectivos poetas/poetisas finalistas são os seguintes:

Resiliência Hugoriana, de Caio Vinicius Menezes de Jesus (5º lugar)

Aos meus pés, botinas de couro surradas
Um pano sem linhas casamentadas a me cobrir
Um trapo velho de couro servindo de vestimenta para meus palitos de picolé
E eu me finco sentado numa cadeira que funciona como minhas pernas
Já que não sou sorvete para me sustentar em palitinhos de madeira.

Me chamo Vitor Hugo, filho do seu Afonso com a finada Isaura.
Tenho uma década de existência somados a dois anos.
Nada nunca foi fácil para mim
Todavia, esbanjo alegria por onde passo.
Me custeia entender o valor da tristeza
Ao meu ver, adjetivos assim, deveriam ser do mundo banidos.

Um mico nordestino, chamado Isaías, se tornou meu melhor amigo.
Me acompanha sorrateiramente até a classe da professora Helena.
Quando chega lá, todo silêncio remoto se transforma num alvoroço ensurdecedor.
As garotas de grosso modo, frescas, odeiam a presença do pequeno primata.
E nesse circo diário, sou o palhaço, onde às amo ver berrar.

Sapeca sei que sou
E lhe digo que não é por menos
Imagina só se eu pudesse andar!
Daria um chute no “cofrinho” da merendeira
No “cofrinho” da merendeira eu daria um chute.
E se tudo, porventura, falhar
Sei que posso contar com o SuperAfonso
De todos os heróis do mundo, sei que nesse posso contar
Mas, ora, santo pirulitinho, ele não vai acobertar minhas traquinanças!

Tenho algo a mais para prosodiar com vocês
Não tenho o que comer todos os dias
Já passei muita fome. Creio, contudo, que essa realidade há de se esvair.
Não preciso de muito para ser feliz
A bondade está nas coisas simples da vida
Sou grato a papai do céu por tudo que tenho
Grato ao meu Superpai
E ao meu companheiro fiel, Isaías.Sei que posso muito mais
Limites não podem ser postos a mim
Sou forte, determinado, sábio e por meio a tanta falta.
Não me falta motivos para continuar progredindo e sorrindo.
E serei assim sempre
Sempre hei de ser assim!

Cegos sem venda, de David Marlon Santos Evangelista (6º lugar)

Presos ao vazio
Tocados pela solidão
Trancados em uma inércia
Que não possui solução
Maquinada pela dor
Em um lugar sem salvação
Embora seja triste
A venda sempre pode ser retirada
Ao som de cada música
Ao toque de cada palavra
E ao final de cada uma
Se inicia uma nova história
Com fim e meio, que sempre retorna
No final nada morre
Apenas de renova

Quando tu vens, de Duanny da Silva Carvalho (4º lugar)

Ó, meu amor, quando tu vens
Tudo se encaixa, volta ao normal
És com certeza meu ideal
Não descobri ainda o que tens
Meus olhos vivem novamente
Quando te olho em minha cama
As estrelas brilham intensamente
meu corpo em chama
Até me esqueço que precisas ir
E tudo tão fácil, principalmente rir
De ti, sempre estou em prol
O que mais dói é me despedir
Porque ao teu lado eu posso florir
És meu sol, eu, o girassol.

Sobre o sonhador e sua substância, de Eduardo Angelus Gomes de Almeida (9º lugar)

Escrevo agora estes versos,
Não pensando naqueles que vão ler,
Mas sim naqueles que possam se identificar,
E um sonhador em si reconhecer,

Por isso então, confio em minhas palavras
Uma grande responsabilidade,
Não por atingir muitas pessoas,
Mas sim por encantar pessoas de verdade,

Pessoas que veem no seu acordar diário,
Uma nova chance a brilhar,
Afinal do que é feita a vida,
Senão de novas formas de recomeçar?

Para este tipo de gente,
Oxigênio não basta para encher o seu pulmão,
Faz-se mais que necessária a mudança,
A virtude de todo campeão,
Tantos filósofos e profetas por ela escreveram,

Bem como alquimistas por ela têm estudado,
Agraciado mesmo é o que não se preocupa,
Pois sabe que está sempre ao seu lado…

A substância de um sonhador advém da conquista,
Na esperança que o eleva,
Saber que algumas coisas levam tempo
Enquanto outras o tempo leva,

A fórmula de um sonhador, portanto,
É a mesma de um vencedor:
Fé, dor, encarar seja o que for,
Esforço combinado à dedicação,
Plena certeza da sua superação.

Psicorracionalidade, de Eduardo Costa Santos (7º lugar)

Ontem era ilusão
Hoje é distopia
Só há um prodígio demônio em mente
Dando um transtorno como bênção.

Pelo paradoxo das fases
Meu passado sente angústia
E o meu futuro deprecia
Só há falsas chaves para abrir o presente.
Eis que um paciente surge…

Enaltece a tristeza
A solidão se faz grande companheira
Decrescem meus frutos
Pois as sementes são fétidas.

Não bastando ser aprofundo
O futuro presente também aparece
Eis que outro paciente surge…

Quem destruiu meu tempo?
Preso em algo nunca acontecido
É incerto o último presente
Rotaciono-me por 25 horas.

Não bastando o segundo milenar
O sonho lúcido também aparece
Eis que mais um paciente surge…

Há uma criatura em minha presença
Grandiosa como Tifão
Pula pelos meus sonhos
Inundando a realidade perversa.

Por um segundo sou a utopia
Por cem anos sou o apocalipse
A triste alegria não dorme
Nem se acorda o único eu.

Meus pacientes têm a garganta azeda
E delas saem vozes amargas
Fedendo o ar castigante
Querendo apenas o outro mundo
.

O semeador, pelos acadêmicos da AJLA (3º lugar)

Se as sementes do campo
Fossem esquecidas no tempo?
Se as flores do deserto
Não tivessem encantamento ?
Se as árvores da vida
Fossem jogadas ao vento?
Onde nós encontraríamos
O nosso conhecimento?

Se desistíssemos de seguir
Porque o caminhar é árduo ?
Se enxugássemos as lágrimas
E começássemos a sorrir?
Perceberíamos que a vida
Faz história belíssimas
Para os que decidem seguir…

É preciso mais que amor
Pra ensinar a caminhar
regando cada canteiro
Num eterno semear
Apenas abrindo caminhos
Diminuindo os espinhos
Para os que decidem alcançar.

E se nós não fôssemos lamparinas
Para esses olhares inocentes?
Se não debulhássemos em suas mãos
Um catado de sementes?
Se colocássemos em nossos olhos
Vendas cegas, descrentes
Barraríamos grande sonhos
De sonhadores inocentes…

Talvez sejamos o grande livro
Que o mundo precisa ler
Aprender com os nossos atos
Como amar e ajudar a vencer
São ações que fazem milagres
Abrem portas, criam asas
Nas terras do coração
Aceite um grande abraço
Sem vírgula, bem apertado
Dos frutos das suas mãos.


Manhã Feliz, de Julian Silva Santos (8º lugar)

O barulho do motor
Quebra o silêncio
Da gélida neblina da manhã

O chão duro e sujo
Lhe serve de assento
Na mente (ainda engrenando)
Um turbilhão de pensamentos
No corpo, a força
Ainda que passageira

Abrem-se os portões
E mais um dia
Mais um vai e vem
Mais uma correria se inicia

No rosto um sorriso
Por dentro várias lágrimas
No corpo uma animação
Na mente, paralisia

Entram e saem
Chegam, registram
Trabalham e vão
Mas ele continua

Percorre a rua
Segue desviando de atropelos
Busca forças
Onde nem há vida
Finda com um sorriso – Muito obrigado!

Entre pernas e pneus
Entre incertezas e sonhos
Entre a fragilidade e a força
Segue ele fingindo:
A vida é bela.

Ele nem vive mais


Inquietude, de Leonarda Santos Nascimento (10º)

Quero mostrar como me sinto
Descrever minhas agonias
Aglomerando minhas palavras
Em versos de poesia.

Encontro inspiração talvez seja no ar
Talvez na natureza
Admirando tua beleza
Ou talvez em teu olhar

Sobre as questões humanas
Há sempre muita confusão
São jovens se isolando
Vivendo numa depressão;

Pessoas são como anjos
Não há sempre o que dizer
Há os anjos suicidas
Na esperança de viver

Na escola busco refúgio
A fim de me encontrar
Professores ignoram
E me mandam estudar

O amor já desconheço
Sigo apenas suportando
O viver já não é mais
Estou apenas respirando…

Alquimia literária , de João Paulo Santos de Jesus (1º lugar)

Eles anseiam por palavras e pensamentos.

Atributos oriundos do Mundo das Ideias.

Anseiam, sobretudo, por conhecimento,
Pois do questionamento são prosopopeias.

Eles, os alquimistas, carregam consigo uma grande missão:
A de trazer luz à escuridão, de promover a reflexão,
Transformando o mundo num lugar propício à extinção do mal.

A humanidade é como um vil metal,
A espera de transmutar-se em ouro.
Porém não percebe que sua vileza e inércia
Impedem-na de desencadear o seu maior tesouro:
O circumponto.

Os alquimistas, em contraponto,
Tudo isso podem perceber.
Sabem que tudo está para se perder,
Porém acreditam que o bem poderá vencer.
São otimistas, pois o ser é mutável
E o fogo é o elemento primordial.
Assim, a luz da benignidade inefável
Ilumina as trevas do vale mortal.

Eles, os escritores, aspiram por palavras,
Palavras transmutadas em vida.
Palavras que sejam o bálsamo
Para a pior ferida…
Aquela que se instaura na alma,
Aquela que apazigua e acalma
De forma ilusória…
O escritor é o alquimista das palavras
E a Literatura é uma valiosíssima pedra filosofal,
Pois o transforma em um ser imortal.
O escritor é o alquimista das palavras
E a Literatura é a chave para a concretização da Grande Obra:
A transformação social.


Poema, de Maria Luiza Freire Oliveira (2º lugar)

Na tarde de julho
Voa o cheiro, o barulho
do café descendo quente
pelo bule reluzente…
e me pergunto já em prosa:
Existe coisa mais gostosa?

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